segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Velocidade média dos ônibus mostra que São Paulo precisa de BRT

Em corredores simples, resultados ficaram abaixo da meta da prefeitura, apesar de crescimento, mas no Expresso Tiradentes velocidade média foi de quase 50 km/h, superando outros modais.

A velocidade dos ônibus nos corredores na capital paulista subiu 5% em 2015, em comparação a 2014. A média no ano passado foi de 19,3 km/h nos dias úteis. Em 2014, a velocidade média dos ônibus foi de 18,4 km/h.
Mesmo com o aumento, o desempenho ficou abaixo da meta estipulada pela prefeitura, que pretende fechar a administração Haddad com os ônibus circulando 25 km/h nos corredores e faixas.
Os dados divulgados pelo TCM – Tribunal de Constas do Município – no Diário Oficial da Cidade levam em consideração 16 espaços, porque contam com trajetos de ida e volta.
Nessa média mensal, foram excluídos os dados do Expresso Tiradentes, por se tratar de uma via realmente segregada, sendo um BRT, de fato.
No Expresso Tiradentes, em 2015, a velocidade média chegou a 47,37 km/h no pico da manhã no sentido centro, sendo superior até mesmo a muitos modais de transportes. No pico da tarde, no sentido bairro, a velocidade média desse BRT foi de 42,84 km/h.
A prefeitura tinha como meta entregar ao menos 173,4 quilômetros de corredores de ônibus até 2016, sendo que grande parte desse total seria de BRT.
O BRT – Bus Rapid Transit – configura-se em corredores com vias realmente segregadas dos demais veículos nas ruas, inclusive não admitindo táxis, e contam com pontos de ultrapassagem entre os ônibus para que não haja perda de tempo em filas de coletivos nas paradas. As estações de embarque e desembarque têm piso no mesmo nível do assoalho do ônibus e pré-embarque, ou seja, pagamento da tarifa antes da chegada do ônibus.
Um modal de transporte não substitui o outro, e deve ser escolhido de acordo com a demanda atual e a perspectiva de crescimento. No entanto, sistemas de BRT podem ser ampliados e ter a capacidade aumentada de acordo com a modificação da demanda, e podem ser até 20 vezes mais baratos do que metrô e 12 vezes mais baratos do que monotrilhos.
O prazo de conclusão, se não houver problemas financeiros e técnicos, como ocorrem em São Paulo, pode ser entre dois e três anos.
Vale ressaltar, entretanto, que o Expresso Tiradentes é uma via elevada, não havendo, assim, interferência de cruzamentos na maior parte do trajeto. Um BRT no nível do solo já encontra mais cruzamentos, no entanto, uma das soluções aplicadas nos principais sistemas de corredores de ônibus do mundo são semáforos inteligentes que dão preferência à passagem dos ônibus.
Em média, a velocidade de um BRT no nível do solo, de acordo com o UITP – União Internacional de Transportes Públicos –, pode ser em torno de 35 km/h.
Entre os corredores simples, o que teve melhor desempenho em 2015 foi o Parelheiros – Rio Bonito – Santo Amaro no pico da manhã, no sentido bairro/centro, com média de 22,8 km/h.
Já o corredor simples com pior desempenho foi o Jd. Ângela – Guarapiranga – Santo Amaro no pico da tarde, no sentido centro/bairro, com 15,24 km/h de média.
O corredor da Engenheiro Luís Carlos Berrini não foi avaliado por ter sido inaugurado recentemente.
De acordo com a prefeitura, no primeiro semestre deste ano, a média de velocidade dos ônibus em toda a cidade foi de 11km/h para 17 km/h, e a dos corredores foi para 23 km/h.
Esses dados ainda não foram enviados para o TCM, segundo a prefeitura.
Veja o quadro:
corredor-desempenho

VIAGENS AUMENTAM

Segundo a prefeitura, o número de viagens na capital paulista cresceu no primeiro semestre de 2016, em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e junho de 2016, foram 1,433 bilhão, e 1,422 bilhão no período de 2015, alta de 0,8%.
No entanto, em todo o ano de 2015, houve queda de viagens em comparação a 2014.
Foram 2,659 bilhões de viagens em 2015 ante 2,686 bilhões registradas no ano anterior.

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